Casa da Sogra - Aqui vale falar de tudo!


SÁBADO É!

Sábado de sol

Sábado azul

Sábado de chuva

Sábado cinza

Sábado azul ou cinza 

Sábado é!

 

Sábado de lazer

Sábado de prazer

Sábado descansado

Sábado trabalhado

Sábado de prazer ou de trabalho

Sábado é!

 

Sábado qualquer

Sábado sempre se quer

Sábado em noite de festa

Sábado em tempo à toa

Sábado em festa ou à toa 

Sábado é!

 

Sábado com o amor

Sábado a procura de um

Sábado com sua verdade

Sábado na busca dela

Sábado com a verdade ou na busca 

Sábado é!

 

Sábado te quero

Sábado te mereço

Sábado eu vivo

Sábado eu amo

Sábado vivo e amado 

Sábado é!



Escrito por Hilda às 00h43
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REAIS E DÓLARES

Fotos do 1 milhão e setecentos mil Reais, em Real e Dólar, com os quais o PT compraria o dossiê.



Escrito por Hilda às 20h25
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NOVELINHA EM EPISÓDIOS

Terceiro Episódio

 

Dora e Silva, a os pais de Rute, vão jantar com a filha, Dora ligou na véspera, pois sabe bem que sua filha não quer que a visite sem avisar. Dora ainda pediu para ver a neta Lori, então Rute aconselhou-a que chegassem entre dezoito e vinte horas para encontrar a neta acordada.

Quando Dora chegou, Lori tomava banho. O pai de Rute a abraçou afetuosamente, chamando-a de “minha menina”, enquanto a mãe esperava ao lado para cumprimentar a filha. Lori fez festa para os avós, principalmente para Dora.

Rute conversa com o pai, na sala de jantar:

_ Mandei a Cida preparar aquele assado que você gosta e também a torta e o risoto e, adivinhe a sobremesa? Ou melhor, farei surpresa!

_ Muito bom filha, porque a cozinheira que tua mãe contratou acho que só é melhor que ela, na cozinha. E quem não sabe, não ensina, não é mesmo?

_ Sabe pai, não sei como você viveu até hoje com Dora.

_ Fácil filha, sempre a amei.

_ E ela, te ama ou amou?

_ Sim, ela me ama.

_ Como uma mulher que nunca se preocupou com seu bem estar, te relegou a segundo plano, atrás de sua profissão, de seus interesses, como também fez comigo, pode te amar, Pai?

_ Ah Rute... nós nos comunicamos pelo olhar, nem são preciso palavras, muitas vezes basta a presença, sempre fomos assim e nunca me senti preterido por ela, são para mim seus sorrisos ternos, é em mim que se recolhe quando a vida a magoa e eu nela,  nossos momentos juntos valem por horas.

_ Pai, se a organização da minha casa fosse como sempre foi a sua, tenho certeza que Marcos já teria me deixado há tempos.

Dora e Lori interrompem a conversa. Lori pede ao avô que jogue xadrez com ela.

_ Rute, você deixou a Lori fazer essas mexas vermelhas no cabelo?

_ Sim Dora, até a levei à cabeleireira, sabe como é menina, uma das amiguinhas fez, ela também quis! Por que pergunta?

_ Bem Rute, sabe que nunca dei palpites em suas escolhas, mas penso que está deixando Lori perder a infância. Mas esquece esse assunto, sei que fazemos o que avaliamos ser o melhor para os filhos, não é?

É Dora, Rute pensa, aprendi com você a ser boa mãe, aprendi a não ser como você foi comigo...

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Na próxima quarta-feira o Quarto Episódio, não perca!

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Hoje publico no Águas da Vida e no Gazeta dos Blogueiros, a crônica:

Uma Brasileira À Beira de Um Ataque dos Nervos

 



Escrito por Hilda às 00h59
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SEGUNDO EPISÓDIO

Retificando os personagens desse episódio:

Marta, a executiva brilhante, somente veste terninho quase feminino, quando está sendo executiva. E mais, mudei de idéia, Marta não é irmã de Marcos. Nesse episódio entra em cena a filha de Rute e Marcos, Lori de onze anos. O resto continua igual, Antônio e Marli ainda se amam e Lurdeca não sabe perder...vamos ver como farei pra juntar todos personagens, mas não se preocupe, acho que consigo! Ahh... aproveito para avisar que os episódios serão independentes um do outro, quer dizer, pretendo que sejam.

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Rute combinou com Cida, a empregada, o que ela deveria preparar para o jantar. Cida é a típica empregada das novelas: veste uniforme impecável e tem aquele ar de quem acabou de sair do banho toda perfumada, entende tudo de cozinha e de manter a casa em perfeita ordem, agrada a patroa como se dela dependesse sua vida.  Rute é a personificação da “rainha do lar”, entre suas paredes ela reina absoluta, tudo funciona ao seu modo. Também sente-se dona do Marcos, seu marido que faz todas suas vontades, respeita sua organização no lar, que Rute faz pensando em lhe dar o conforto de uma casa limpa, enfeitada, onde encontra suas roupas limpas e detalhadamente distribuídas no armário, onde tudo tem seu lugar certo. Rute  é cuidadosa com sua aparência, cabelos sempre cuidados assim como as unhas,  e também com a filha. Rute é mãe preocupada, leva Lori na escola, a menina quer voltar com as amigas, ela não permite. A acompanha nas aulas de bale, nas de inglês, de piano e de natação. O dia é dedicado a ser motorista da Lori. No final do dia os cuidados com Lori ficam por conta da Cida, que lhe prepara o banho e serve seu jantar e depois Lori fica a espera do pai chegar para ir dormir, quando o sono permite, pois Marcos a cada dia chega mais tarde, devido aos compromissos cada vez maiores na empresa. Rute o espera pacientemente para a intimidade do jantar a dois, onde ela conta os progressos de Lori, os problemas no trânsito, as compras que precisa fazer, os preços dos alimentos cada vez mais altos. Ao deitarem, trocam um beijo carinhoso e dormem exaustos entre lençóis perfumados. Amor somente aos sábados. 

 

Enquanto o sono não desliga seus pensamentos, Marcos relembra Marta... que mulher inteligente, sedutora, voluptuosa...!



Escrito por Hilda às 01h09
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NOVELINHA EM EPISÓDIOS

Personagens:

 

Marcos um homem comum.

            Antonio, um homem no tempo e no espaço de hoje. (Clique Aqui e veja seu modo de pensar análogo à desse outro Antônio)

            Lurdeca uma mulher freqüentadora assídua de academia, vizinha de Antônio.   

            Rute, a esposa de Marcos.

            Cida, empregada doméstica de Rute.

Marta uma executiva brilhante, vestida em ternos femininos, ou quase, irmã de Marcos.

Dr. Ernani, psiquiatra-psicólogo envolvido no estudo da psique da mulher dos dias atuais.

Marli uma jovem e inteligente mulher, solta no mundo. (Clique Aqui para ter uma idéia do tipo da personagem.)

            Sr e Sra Silva um casal de meia-idade (sei lá o que é meia idade, mas se referem assim aos que estão com mais de cinqüenta anos e menos que sessenta e poucos, não é?), pais de Rute e de Marli.

            Poderão ser acrescentados outros personagens e ignorados alguns desses citados, vai depender do humor e criatividade dessa que escreve...

 

Primeiro Episódio

 

Marli é vizinha de Antônio e da Lurdeca, interessada em cultura geral, em atualidades e exercícios ao ar livre. Três namorados já passaram em seus dias, um amigo e duas amigas verdadeiros, trabalha em relações públicas.

 

Tudo que se refere à moda, a cuidados pessoais, a moldar o físico são os maiores interesses de Lurdeca. Trabalha como representante de produtos de maquiagem, tratamentos para pele e corpo e perfumes, nas horas que sobram das idas à academia de "fisicocultura" e aos salões de beleza. Algumas amigas, ou melhor companheiras da academia e de saídas noturnas.

 

Lurdeca é apaixonada por Antônio que ama Marli que nem desconfia disso. Mas Lurdeca já percebeu. E resolveu que vai tirar a máscara de perfeita da Marli frente a Antônio.

 

Antônio ainda não conseguiu coragem, por insegurança, para declarar seu amor à Marli. Lurdeca que desconfia disso decide que terá que agir rápido. Consegue coincidir estar passando a frente de sua casa no exato momento que Antônio chega. Inicia uma conversa e depois de uns minutos o convence em ir à sua casa assistir um vídeo de um show musical que acabara de comprar. Depois de assistirem ao show, Lurdeca serve vinho e Antõnio faz comentários sobre o vídeo, mas Lurdeca consegue mudar o assunto para outros mais pessoais. E habilmente, de assunto em assunto chega em Marli. Claro que Antonio se interessa e ela aos poucos, mesclando elogios com maledicências, vai traçando para Antônio uma Marli liberada, que coleciona conquistas masculinas como se fossem troféus. Lurdeca despediu-se de Antônio com a certeza de que havia se livrado da concorrência de Marli.

 

No dia seguinte Antônio toca na casa de Marli e a convida para jantar. Marli surpresa, aceita. No restaurante conversam sobre muitos assuntos, descobrem afinidades nos gostos musicais, nos lazeres, nas leituras, nas posturas vivenciais. Muitos encontros depois, Marli apaixonou-se por Antônio que se chamou de bobo, pois se não fosse a Lurdeca dizer que ela era uma conquistadora, ele nunca teria coragem para convida-la a sair...

 



Escrito por Hilda às 01h35
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ESCOLHAS

Fecho a porta e ganho a rua, o espaço, não vejo prédios, nem carros, nem gente, nem cachorros. Tudo fica pra trás.

 

Nada à frente. Olhos abertos vêem o nada. Caminho pela nada, sigo o nada, canso do nada, descanso no nada, durmo no nada. Venta no nada, o vento do nada me desperta, o ar do nada é fresco. Sigo pelo nada. Penso nada. Ouço a música do vento do nada e danço pelo nada. Corro nua pelo nada. Sem dor, sem nada no nada. O nada é azul. Sou leve no nada e flutuo pelo nada, borboleta do nada, paz do nada. No nada, de nada se vive.

 

No horizonte do nada, vislumbro contornos, luzes, nuvens, raios, tudo.

 

O caminho para o tudoNo tudo se nasce. No tudo tem amor e no tudo tem dor. No tudo tem sucessos e no tudo tem derrotas. No tudo sou pesada e visto máscara. Tudo de alegria e tudo de tristeza. Tudo de cores vibrantes ou amenas e tudo cinzento. Tudo é verso e reverso. Tudo é ação e reação. No tudo se morre.

 

É Tudo ou Nada.

Nada escolho ou escolho tudo?

E você, tudo ou nada?

 



Escrito por Hilda às 23h49
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NÃO SEI...

...se a vida é boa. Mas sei que nela é preciso amar, sei que é preciso dar, sei que é preciso perder para saber ganhar. Sei que tristeza precede felicidade e também a antecede.

 

...se prefiro a flor ou o brilhante. Sei que a flor não é perene, porém renasce e se modifica e surpreende em beleza, própria e espontânea, sem lapidações.

 

...o que busco. Talvez quem me compreenda, ou quem eu compreenda. Pode ser que seja o sucesso, ou vencer o medo, ou minha verdade nua e crua, ou quem me surpreenda em emoçõmoç quem me surpreenda em crua.nua e crua.uem eu compreenda. Pode ser que seja o sucesso, ou es, ou o sentido da vida.

 

...se entendo o horizonte. Ele é o início do infinito ou o fim da realidade? E qual o horizonte do firmamento? As estrelas estão no horizonte ou no infinito? Como se alcança o horizonte? O horizonte da vida é o futuro ou é o hoje?

 

...decifrar a arte. Só sei que sei senti-la. Sei que me emociona e as vezes colho suas mensagens, sei viajar numa poesia e adentrar por uma imagem, sei me identificar num texto ou ser personagem de um livro ou viver uma dança. Mas não sei defini-la.

 

...se sei o que é tempo. Será o tempo o ontem, o hoje e o amanha? Se vivi o ontem ele existe, ele é vida. O hoje estou vivendo com as conseqüências dos ontem’s. O hoje será ontem se eu tiver o amanhã. Mas a razão me diz que tempo é o agora.

 

...se gosto de segundas-feiras. Sei que gosto de sentir a vida quando desperto nelas. Mas sei que não me agrada encarar suas rotinas. Sei também que amo vencê-la e conquistar o final de seu dia.

 

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Que a segunda-feira se faça alegre a você e a semana ainda melhor!

 



Escrito por Hilda às 00h26
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Domingo é o dia do Sol. Esteja ele visível ou não, é seu dia e nesse dia temos que saudá-lo, reverenciá-lo. Sol é como o sal, sem ele nada tem sabor. Sal é como o Sol, único. Sal para carne e Sol para a vida. Qualquer vida viva, precisa do Sol, ele é o gerador de toda vida. Sol que vence as trevas e que nos aquece.

 

Salve Sol!

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Que nesse domingo o Sol te ilumine!

 



Escrito por Hilda às 01h50
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CUIDADO COM O SÁBADO!

Casei num sábado, acho que a maioria dos casados, dos descasados, dos viúvos, dos que casaram e já não existem, casaram-se num sábado.

 

Por que essa tradição, ou mania, ou falta de imaginação? Sei que casei num sábado para que os familiares que residiam fora da minha cidade, pudessem vir. Chegaram pela tarde de sexta-feira e acho que partiram na tarde de domingo é, não estava presente -porque depois do teatro armado com a cerimônia, onde fui fantasiada de fada-madrinha, mas parecendo um destaque de escola de samba, mas sem cores, toda branca... e como os sapatos judiaram dos meus pés! e nós, os noivos, com um sorriso forçado, sendo beijados e abraçados por tias, tios, primos, amigos, estranhos, que deviam ser conhecidos ou parentes dele, porque meus não eram; só lembro de bocas com batom e outras sem, algumas com bigode por cima, repetindo, repetindo, repetindo: você está uma noiva linda, sejam felizes; cheirei perfumes diversos e também loções de barba, mas também senti o cheiro que vinha de bandejas decoradas, que passavam ao longe; sentamos, eu e o noivo, numa das mesas coberta por toalha branca de rendas com velas e flores ao centro, mas não sei o que jantei ou se jantei; penso que foi servida sobremesa, pois em algum momento senti aroma de doces -, fomos para a lua-de-mel, mas antes a um restaurante para resolver nosso problema de fome...

 

Na volta vim ansiosa para assistir a minha festa, já que não participei dela, gravada em vídeo. Chamei o ex-noivo que já era marido e com todos os defeitos de um. Não quis assistir, preferiu ver programa de esporte na TV do quarto. Era uma tarde de sábado e assistindo minha festa me pareceu um desfile de carnaval ou uma festa de máscaras. A noiva, eu, estava irreconhecível com a maquiagem que usava, que vergonha senti! Por que dei ouvidos à dona do salão onde fui me preparar para o grande dia? Muitos familiares e amigas, só depois de voltar o filme algumas vezes foi que identifiquei. Nunca mais assisti o vídeo, na verdade joguei-o fora.

 

Anos depois, quando meu casamento acabou, uma voz lá de dentro de mim, falou:

“É a maldição do sábado! O sábado é para ser aproveitado em suas vinte e quatro horas, se desperdiça-lo com preparativos ou com compromissos que não sejam prazerosos, mais cedo ou mais tarde, ele se vinga!”

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Tenha um sábado alegre e repousado... e não se case nele!

 



Escrito por Hilda às 23h37
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Minhas Colunas

Hoje publico o texto: Às Vésperas das Eleições

No blog Águas da Vida

 

E novos escândalos surgindo. Quando a gente pensa que não existe mais nenhuma forma, que eles esgotaram toda maneira de ser corruptos, somos surpreendidos por outros atos diferentes de corrupção do Partido dos Trabalhadores, aquele partido onde seus membros não precisam trabalhar. E o líder do partido, nunca ouviu, nunca viu nada. Desconfio que não é somente o dedo que perdeu, perdeu a visão, perdeu audição, perdeu a moral, se é que algum dia teve!  LEIA MAIS...

 

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Na Gazeta dos Blogueiros meu tema é sobre Blogs

 

Blog, blog, blog

 

Escrevendo no meu blog não me prendo a um tema, num dia falo de emoções, noutro conto historinhas, em outro resolvo compor um poema, as vezes o assunto é sério, profundo, em outras é fantasioso e brincalhão. Mas aqui, para a Gazeta dos Blogueiros, tenho vontade de escrever sobre blogs, blogueiros e blogar.

 

Problemas e Dicas, LEIA MAIS...



Escrito por Hilda às 00h03
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E AGORA JOÃO?

E Agora João?

O tempo criança acabou, e nem gastou as lágrimas. E agora João, vai chorar essas lágrimas ou vai levar pro caixão? Chora João, chora, vai ficar mais leve, vai reviver a criança, chora João.

 

E agora João?

A juventude se foi e deixou sonhos juvenis. E agora João, vai buscar os sonhos ou vai jogá-los ao chão? Sonha João, sonha, vai viver mais feliz, vai relembrar o jovem, sonha João.

 

E agora João?

O sucesso conseguido deixou amargo gosto. E agora João, vai procurar caminhos ou vai aceitar a desilusão? Muda João, muda, vai se fazer mais forte, vai se aprender, muda João.

 

E agora João?

O amor eterno acabou. E agora João, vai recomeçar ou vai viver sem paixão? Ame João, ame, vai ser feliz de novo, vai se entregar melhor, ame João.

 

E agora João?

A velhice chegou de repente. E agora João, vai viver a maturidade ou vai clamar por compaixão? Viva João, viva, vai estar no futuro do passado, vai colher o que plantou, viva João.



Escrito por Hilda às 23h27
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ACONTECE PELA VIDA

Historinha verídica, com nomes fictícios.

 

Foram meses de preparativos, Julio e Mara combinaram todos os detalhes. Afinal depois de estarem juntos há três anos, sabiam bem o que queriam, ou pensavam que sabiam.

 

Por quatro meses planejaram a cerimônia, a festa, as roupas e os convidados. Decidir a lista de convidados foi o pior, ele não gostava de algumas amigas e familiares dela e ela também não gostava de alguns destes dele. Inclusive para as amigas ela dizia que seria o dia mais feliz da vida dela, se a mãe dele não estivesse presente. Mas impedir a mãe do noivo de participar do casamento era impossível.

 

Foram meses onde fizeram planos e economia para poderem cobrir os gastos com o vestido de renda totalmente rebordado em lantejoulas e miçangas, o arranjo da cabeça ficou econômico, pois ela optou por uma simples fita de seda de onde pendia um véu até o meio de suas costas e que não recobriria totalmente as pontas da fita que envolveria a cabeça e seria amarrada em laço. Também custoso foi o meio fraque dele, a decoração da igreja, o buffet e espaço que escolheram para o serviço da festa, o fotógrafo e a reportagem filmada contratados. Houve algumas discussões, Julio queria a cerimônia e a recepção bem simples, preferia que realizassem uma viagem nos quinze dias que teriam de férias, mas Mara não aceitou e o convenceu que no futuro mostrariam aos filhos que planejam ter, as fotos e filmes desse dia e eles comprovariam o amor que os unia desde de então.

 

Faltando vinte e sete dias para o casamento, Mara amanheceu com febre alta, dores pelo corpo, estranha. No dia seguinte foi ao médico que diagnosticou suspeita de dengue, a doença transmitida pelo mosquito Aedes Aegypti. Julio ficou preocupado e aconselhou Mara a ficar na casa da mãe dela, pois ele não poderia ficar ao seu lado durante o dia e ela necessitava de cuidados.

 

Nos dois primeiros dias, chegar ao apartamento vazio não foi agradável para Julio, no terceiro aceitou o convite dos amigos para irem a um barzinho, tomar uns chopes, conversar como no tempo em que era só. E nas noites seguintes acompanhou os amigos, no final de semana visitou Mara que estava mesmo com dengue, com a pele coberta por manchas vermelhas e a dor de cabeça e a febre tiravam-lhe a vontade de qualquer movimento, mesmo os dos lábios para conversar com Julio. Depois de quinze dias, Mara retornou para junto de Julio. Já disposta  reparou na bagunça deixada por ele, nas roupas amontoadas, nas comidas esquecidas na geladeira e claro, reclamou muito.

 

Quando soube que ele não tinha feito os pagamentos da recepção e do fotógrafo, perdeu o controle sobre si e o chamou de irresponsável, afirmou que sua mãe o mimara demais tornando-o imaturo. Julio ouviu tudo calado, por dois dias, enquanto Mara colocou a vida deles na forma que ela considerava perfeita e acalmou-se, voltou a ser a noiva romântica e apaixonada e ouviu de Julio:

 

_ Sinto muito Mara, quero continuar sozinho. Avisa teus convidados, que eu avisarei os meus, que estamos desistindo do casamento...

 

Depois de uns dias de muito choro e ofensas ouvidas, Julio respira aliviado e se pergunta:

 

_ Será que foi minha mãe que trouxe o mosquito da dengue aqui pra meu apartamento?



Escrito por Hilda às 23h33
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ESSA TAL FELICIDADE...

Caminho para Felicidade: Traga o ontem pro hoje.

 

Sei bem que todos os especialistas comportamentais, os psicólogos terapeutas, os livros de auto-ajuda, os psiquiatras, aconselham que se viva o hoje, que o ontem já era e o futuro é um grande SERÁ, eu mesma acho que já escrevi isso aqui, não é?

 

Mudei de idéia? Não, não mudei, somente lapidei a idéia.

 

Continuo pensando que viver somente de lembranças é andar pra trás, continuo sabendo que ficar relembrando dores, mágoas e todo tipo de sofrimento é sentir novamente e as vezes, até mais intensamente, tudo de ruim que já vivemos.

 

E as lembranças felizes? Você já percebeu que uma lembrança feliz até pode nos fazer sorrir ao recordá-las, mas nunca sentimos a felicidade igual a que vivemos?

Para mim isso é uma falha muito grande em nossa faculdade mental de gravar lembranças, por que as ruins revivemos na íntegra e as felizes são apenas recordações?

 

Está querendo me perguntar, então pra que trazer o ontem pra hoje, não é?

 

As lembranças felizes claro que devemos mantê-las vivas, mas as doídas, não! Encontre a lixeira da mente e jogue todas as que trazem sofrimentos nela.

 

Trazer o ontem para o hoje é viver com olhos para o passado e ao mesmo tempo com olhos para o hoje. No passado olhar os caminhos que usou até atingir felicidade que conheceu, se é que conheceu ou reconheceu, e repeti-los hoje onde for possível. Também através do olhar pro ontem, reveja as causas dos erros para não comete-los hoje novamente, pelo menos seja criativo, crie novos erros, que quando estiverem lá no ontem, os levará a criar outros, que por sua vez, o empurrarão a outros e ... será que um dia na vida aprenderemos a não mais errar?

 

E de erro em erro vivemos a felicidade, porque você sabe, todos erros que criamos tem sempre um objetivo: encontrar a tal felicidade!

 



Escrito por Hilda às 00h44
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EU, ALQUIMISTA

Andei pensando Alquimia. A alquimia arte, a pseudociência, mas não quero transformar metais comuns em ouro ou prata, ou criar elixir que cure todas as doenças e nem um que resulte na imortalidade. Nenhuma dessas pretensões até hoje não conseguidas, quero transformar elementos simples em algo útil, alguma coisa agradável para você e para mim.

 

A alquimia é baseada na crença de que há quatro elementos básicos: fogo, ar, terra e água e quatro essenciais: orvalho, sal, enxofre e mercúrio. Sei que a química moderna teve origem na alquimia, mas a antiga arte é fortemente espiritual.

O orvalho é utilizado para umedecer a matéria-prima. O sal é o dissolvente universal, é o meio de ligação entre o mercúrio e o enxofre, muitas vezes associado à energia vital, que une corpo e alma. Os outros dois elementos, mercúrio e enxofre são as principais matérias-primas da alquimia. O enxofre é o princípio fixo, ativo, que representa as propriedades de combustão e muitos estudiosos, homens com certeza, dizem que é o princípio masculino! Será que é por causarem corrosão nos metais? O mercúrio é o princípio passivo, inerte, os tais  estudiosos o chamam de princípio feminino, tenho certeza que é por ser volátil, e não ser dominado pelo enxofre, o masculino! Ambos, combinados, formam o que os alquimistas descrevem como o "coito do Rei e da Rainha". Grande descoberta, não é?

Autoclave

Na minha alquimia usei muita terra, na qual juntei água e despejei a mistura numa autoclave, que aqueci com fogo. Depois de dois dias apaguei o fogo e quando o termômetro registrou a temperatura zero, abri a autoclave. Foram três dias nesse processo inicial. Em separado peguei trinta quilos de enxofre, sabe como é, nesses elementos tem muitos que não são eficientes, então sempre é bom ter um excesso. Pesei dez quilos de mercúrio, uni os dois num casamento perfeito onde os átomos de mercúrio escolheram os que avaliaram serem os melhores de enxofre, e numa composição equilibrada na base de 1/1, uniram-se resultando moléculas perfeitas e todas temperadas com muito sal. Deixei-as por uma noite ao relento recebendo orvalho, onde mercurio e enxofre namoraram ao luar. Nessa preparação usei mais um dia. A última etapa da minha alquimia foi juntar essas moléculas à mistura da autoclave, fechar e aquecer ao fogo e com tempo para ser aberta ao final do sexto dia de preparação. Enquanto esperei, mentalizei pensamentos positivos, imaginei o sucesso do resultado que obteria, me vi sendo ovacionada e amada por muitos...

Agora vou abrir a autoclave e admirar minha alquimia, sei que você vai aplaudir, acredito que consegui criar um dia de sábado para vivermos amanhã, sendo hoje um domingo!

 Alguma coisa saiu errada!

Você me desculpa?

Criei uma Segunda-Feira!

Que pelo menos, para você, ela seja feliz!



Escrito por Hilda às 23h21
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CAMINHO

Caminho longo, florido em lugares, pedregoso em outros.

O início é plano, colorido.

Continua aprazível por um médio trecho.

Água límpida, que sacia a sede, de um córrego amigo pelo percurso.

Outras áreas de flores, dádivas, enfeitam a paisagem e inebriam o coração.

Os andantes seguem felizes.

Até o encontro de pedras.

Pedras pequenas, fáceis.

Maiores e difíceis.

O Sol esquenta o frio,

E dá força à vida.

 

E o caminho segue ...

Levando ao destino os que o percorrem.

O Sol os acompanha,

Clareia as densas sombras,

Os guia

Na procura.

 

Na escuridão da noite, cede lugar ao luar.

Lua e Sol distribuem suas luzes na hora necessária.

O Sol os leva ao final do caminho

Para apresentar-lhes o Vale do Sol!

 

Morada da felicidade ...

 

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Domingo com luz do Sol a você!



Escrito por Hilda às 23h05
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PAPO FURADO...

Sábado e eu com duas costelas fraturadas, ganhas por pura burrice minha, daquelas que tenho certeza você já cometeu também, sabe qual? Explico, todos temos a nossa parte loira de ser. Quer seja loiro, moreno ou negro ou amarelo, tem sua parte loira, ela é intrínseca ao ser humano.

 

Então, quantas vezes ouvimos os conselhos da parte loira e ficamos surdos pros da nossa outra parte? Foi isso que fiz. Acreditei que era mais fácil subir numa caixa de som que estava quietinha no lugar dela, do que contorná-la e resolver o que queria.

 

A outra parte, a morena, avisou:

_ Vai dar problema, não vale a pena, contorne que é melhor.

 

Surda pra morena, subi na caixa de som abaixo da janela para rapidamente ajeitar uma faixa de meu candidato a deputado estadual. Se ficou curioso, o link do site dele "MEU CANDIDATO" está aí do lado, à direita. A tonta da parte loira, nem viu um saco plástico transparente sobre a caixa preta. Subi, me debrucei sobre a janela, meu pé escorregou no saco plástico, caí em cima da saliência do batente da janela que se encaixou bem abaixo das costelas e com o escorregão me puxou pra trás pressionando as costelas. Mas isso não seria suficiente para fraturar e sim que, ao me desequilibrar, bati na janela, daquelas que enrolam a veneziana ou então a deixamos semi-abertas, para fora e era assim que ela se encontrava. A janela assassina que uma vez já quase estraçalhou meu dedo, numa outra ocasião de “loirice”, é grande, de madeira e pesada. Ao me desequilibrar bati na maldita janela que fechou com força batendo na minha cabeça me empurrando e ainda mais pressionado as costelas, e aí senti a dor da fratura! Pelo menos me consolei e agradeci por ser cabeça dura, nem um galo com a pancada!

 

E agora estou aqui, no sábado, limitada e com dor, enfaixada numa cinta elástica que deve aumentar cinco centímetros na minha circunferência, o que impossibilita o uso de várias roupas, quase todas, menos umas três “batinhas”. Mas não vou desperdiçar o sábado não! Vou me ajeitar sobre almofadas, vou ouvir música, vou ver um DVD, vou acabar de ler Clarice de Lispector em Correio Feminino, leitura excelente para saber como as mulheres viviam lá pelos anos cinqüenta e início dos sessenta, quais eram seus interesses, recomendo aos homens que não leiam, pois irão sofrer muito com inveja dos homens daquela época! O livro é composto por crônicas que Clarice Lispector escreveu para revistas femininas e suplementos femininos de jornais.

 

É isso... sei que hoje não exaltei o sábado, não te dei sugestões para suas horas. A verdade é que a “loirice” me pegou de jeito e além de me fraturar costelas levou minhas idéias!

 

Bom sábado para você e... não dê ouvidos à sua parte loira, ok?



Escrito por Hilda às 01h02
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MUITO PRAZER

Preciso me olhar de longe. Observar gestos fugazes ou bem delineados, como se fosse uma outra, como se fosse um outro. Ler nos olhares reveladores, como faço com outros.

 

Quem é você?

Exiba a criança. Para te conhecer, desabroche a rosa e mostre os espinhos, aqueles que ferem. Revele-me o que ocultas com máscaras, prometo lhe compreender, ajudar e perdoar, se necessário.

 

Qual seu mistério?

Sou a única capaz de desvendá-lo. Sou detetive atenta e sagaz, procuro pistas e sigo por elas, deixe-me ajudá-la, aceite meus serviços.

 

O que espera?

Vejo em seu olhar a indecisão, venha que te darei forças para entender seus anseios, vamos concretizar o hoje e esquecer o ontem, somente assim encontrará a resposta para:

 

O que procura?

Discuta comigo, se revele, juntas encontraremos o caminho, juntas chegaremos ao fim do arco-íris, ou à lâmpada mágica, ou à fada madrinha, ou ao amor...

 

Aí poderei dizer:

 

Muito Prazer em Conhecer-te!

 

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Minhas participações hoje em outros blogs:

Número e Natureza e Arte” é o tema que apresento no

 Gazeta dos Blogueiros

 

E no Águas da Vida, o tema é “Reflexões


 

 



Escrito por Hilda às 00h48
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FRAGILIDADE

Um tempo pensei que essas palavras não diria,

Naqueles dias que fui borboleta azul pelas matas,

Nesses dias, o que hoje pretendo, não revelaria.

 

Tempo que andei nua pela vida,

Corri solta em campos verdes,

Livre de amargores e repleta de ardores.

 

Ceifou as flores dos meus canteiros, ou fomos nós?

Queimamos o verde dos meus gramados?

Vestiu-me a nudez ou de pudor me vesti?

 

Sei que a palha que a visão tolhia foi retirada

E o dia e os tons despertaram verdadeiros,

O feitiço da sedução evaporou-se...



Escrito por Hilda às 00h52
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ENTREVISTA

Dia desses resolvi: vou mudar de profissão. Quero desafios novos, melhor salário, sem horário pré-determinado, somente prazos para entrega das tarefas.

 

Enviei tantos currículos pelo correio que até penso merecer algum bônus de participação nos lucros do ECT, e fiquei esperando respostas. Sim, aconteceram, mas de empresas de consultoria em recursos humanos oferecendo seus serviços pagos, evidente, para encontrar o emprego dos meus sonhos.

 

Um dia alguém de uma dessas consultorias ligou me oferecendo o emprego desejado. Marcou entrevista para o dia seguinte. Inventei compromissos mil para adiar a entrevista para um dia após o que ele determinara. Ele foi firme, amanhã ou nada. O jeito foi cuidar dos cabelos, das unhas e determinar a melhor roupa pra ir à entrevista, às pressas. Queria causar boa impressão à primeira vista!

 

Consegui chegar pontualmente, nem um minuto a mais, nem um a menos. O entrevistador não revelou qual empresa oferecia o emprego, só falou das exigências e, entre elas, ser criativo, vibrei com isso, pois o que mais sei é inventar, outro item era saber sair de rotinas, hunn... pensei, boa, odeio rotinas mesmo! A seguir comunicou-me que minha avaliação começaria agora. Levou-me para uma sala cujas paredes eram cobertas por estantes com livros. Do chão ao teto, e os livros selecionados por assuntos.

 

Dirigiu-me até uma mesa no meio da sala, gentilmente puxou a cadeira pra que me sentasse. A seguir pegou umas folhas de uma gaveta da mesa e me entregou. Explicou que as primeiras eram formulários que deveria preencher em letras de forma e sem rasuras. Nas demais teria que desenvolver um tema sobre mapas antigos da América do Sul e outro sobre como e quando o calendário atual foi criado. Disse-me que poderia consultar qualquer livro das estantes, mostrou-me uma campainha caso  precisasse de algo mais e desejou-me boa sorte.

 

A primeira dificuldade foi preencher os formulários. Errei o primeiro formulário, o segundo e o terceiro, toquei a campainha e pedi outros. Não seria mais fácil fazer isso num computador? Desconfiei que estava sem prática de escrever com caneta, teve momentos que ao errar pensei: vou deletar! Finalmente consegui.

 

A seguir dirigi-me à estante onde estavam localizados os livros sobre História das Américas. Olhei o índice do primeiro, encontrei uma nota sobre o primeiro mapa da América do Norte. No segundo o índice não mostrava nenhum indício de mapas antigos, estava no décimo quando pensei, preciso do Google, só ele pra resolver. Depois de pesquisar uns trinta livros, peguei uns cinco que continham algumas informações e fui pra mesa. Caneta na mão e papel em branco me desafiando e não sabia por onde começar! No Word é tão fácil, escrevo como respiro, naturalmente, por que no papel está difícil? Consegui encontrar um início, mas juro que não reconheci minha letra! Ela não era assim! Rabisquei os erros, ai que falta o “delete” faz, pensei. Terminei cheio de rabiscos, mas era um texto!

 

Com o outro tema a dificuldade foi a mesma e faltando um minuto pro tempo estipulado terminar, acabei o outro texto também todo rabiscado e com letra trêmula, talvez pela dor no pulso que estava sentindo.

 

No dia seguinte liguei para saber do resultado e me informaram, não fui aceita!

 

Droga, se tivessem me disponibilizado um computador e Internet, eles veriam do que sou capaz, me consolei ...



Escrito por Hilda às 00h07
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PINCE-NEZ

Ele usava óculos desde criança. Miopia, daquelas que sem óculos só se enxerga um metro à frente. Na adolescência tentou usar lentes de contacto e não se adaptou a elas, seus olhos choravam o tempo todo. Acostumou-se com os óculos.

 

Tornou-se um professor de óculos. Com os anos, um professor de óculos e gorducho. Mais um tempo, um professor de óculos, gorducho e meio calvo.

 

A mãe, já viúva, faleceu e ele, sendo filho único, desmontou a casa dela, doou seus pertences, guardou as fotos e o óculos, que a mãe dizia ter sido do bisavô dela. Aqueles óculos o encantavam desde criança, como era mesmo que a mãe dizia chamar? ... acho que era pinci-nez, ela contava que era do século XVI. Era dourado, seria de ouro, ele se perguntava.

       

E quando o colocou no nariz, viu que as lentes estavam corretas para sua visão.

 

Guardou o óculos numa gaveta, e de vez em quanto o colocava e cada vez mais a atração por ele aumentava. Era uma raridade, queria usar, exibir-se com ele. Num feriado resolveu, colocou o óculos e saiu, andou pelas ruas, percebeu olhares, não sabia se eram curiosos ou de admiração pela beleza dele. Não encontrou conhecidos ou amigos que poderiam fazer comentários. Voltou pra casa e continuou com ele, a mulher ainda perguntou:

 

_ Por que isso agora? Cadê seus óculos?

_ Sei lá, estou me sentindo tão bem com esses.

_ Você que sabe, mas é estranho, diz ela.

 

No outro dia caprichou no visual ao se preparar para as aulas. Pegou um guarda-pó, branco, lavado e bem passado, como pediu à Maria, empregada. Ao entrar na sala de aula, os quarenta adolescentes, momentaneamente se calaram, mas logo depois muitos riram. Ele percebeu. Os colegas também fizeram piadas, ele inventou que havia quebrado o óculos antes de sair de casa.

 

Ao chegar em casa, a primeira coisa que fez, foi voltar para seu óculos habitual. O engraçado foi que a visão com ele ficou turva. Pensou que logo acostumaria ...

 

Consultou um oculista que depois de o examinar receitou outras lentes, foi a uma ótica encomendar as lentes, colocou os óculos e a visão estava turva, voltou ao oculista que o reexaminou e confirmou as lentes e as lentes continuavam sem melhorar sua visão. Foi a outro médico, que lhe receitou outras lentes, fez outro óculos, em outra ótica, e o resultado continuou o mesmo, e procurou outro médico, outra ótica, outro óculos...

 

Somente com o pince-nez enxergava...



Escrito por Hilda às 00h46
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VIVENDO O ELEVADOR

Ela é a última da fila que espera o elevador chegar. Entra e se espreme entre uma esbelta perfumada e um senhor, digamos, robusto. E pensa:

 

_Outra segunda-feira começando no elevador.

 

Sabe que no elevador leva mais ou menos um minuto até chegar ao andar onde trabalha, o último. Irá descer na hora do almoço e subir novamente e também descer satisfeita ao término do dia trabalhado. Faz as contas... quatro minutos por dia, vinte minutos por semana. Num mês serão uma hora e cinqüenta e dois minutos. Se acrescentar os dois minutos que espera o elevador chegar, serão três horas e quarenta e quatro minutos por mês e quarenta e quatro horas e quarenta e oito minutos em um ano. Quer dizer, por ano passa um dia, vinte horas e quarenta e oito minutos dentro do elevador.

 

Olha a sua volta e não consegue coincidir seu olhar com nenhum dos passageiros, uns parecem cegos, olhar sem expressão, outros olham pro chão, será que ninguém ainda percebeu que parte da vida deles acontece no elevador? Será que ouvem a música ambiente, suave?

 

O senhor robusto desce, ela se afasta da esbelta com olhar no além, sorri à esbelta e não recebe retribuição... é, ela está no além, pensa. Ocupando o lugar do robusto, agora um homem trajando terno com ar importante, deve ser um executivo, ela imagina, e sorri pra ele que a olha com ar de quem pergunta: é comigo? E continua com o olhar vago. Desce a esbelta perfumada e ao seu lado agora um senhor com ar de desiludido. Ela pensa que talvez se falar alguma coisa com ele, o faça um pouco feliz, nessa segunda-feira:

 

_ Agora ficou melhor aqui, não é, diz ela sorrindo. O Desiludido a olha sem entender...

 

Sobraram ela e o executivo que continua com olhar vago, ela fixa o olhar na porta até que se abre. Desce pensando no minuto que se foi sem deixar nada...



Escrito por Hilda às 23h31
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SEM TÍTULO

Fui sem pátria, sem registro,

sem nação e sem razão,

renasci com certidão,

mas sem dar e sem amar,

nem receber e nem saber,

era andor sem flor,

planta sem fruta,

recebi pedras e atirei,

caí num labirinto e me perdi,